Ia dizer que era uma gravidez milagrosa, até o médico sussurrar: “Um destes… não é um bebé.”

O caos reinava lá dentro. Os médicos trabalhavam com urgência, as vozes baixas e tensas. A pressão arterial de Emily desceu perigosamente. O foco do Dr. Harrison nunca vacilou. Um a um, foi realizando o parto dos bebés — minúsculos, prematuros, frágeis — mas milagrosamente vivos. Os seus choros preenchiam a sala como a mais doce sinfonia.

“Sete… Oito… Nove…” Uma enfermeira contou baixinho, com os olhos marejados.

Depois veio o silêncio. O décimo “bebé” não era visível nos monitores. O Dr. Harrison franziu o sobrolho e olhou para dentro do útero. As suas mãos tremiam levemente.

“O que… É isto?” sussurrou uma enfermeira.

Do lado de fora, Daniel não ouvia nada além de vozes abafadas. O silêncio assustava-o mais do que qualquer outra coisa.

Quando o Dr. Harrison finalmente saiu, o seu rosto estava solene. “A sua esposa está segura”, disse. “Nove bebés ainda estão vivos”.

Os olhos de Daniel arregalaram-se. “Nove? Mas… o décimo?”

O médico hesitou. “Não era um bebé. Era um fibroma, um tumor que se desenvolveu durante a gravidez. Era por isso que ela estava com tantas dores. O seu corpo pensava que estava a proteger dez vidas, quando uma delas não era real.”

Daniel afundou-se numa cadeira, dividido entre o alívio e a tristeza. “Então… Ela vai lá estar?”

“E então?”