{"id":117,"date":"2025-10-27T07:11:02","date_gmt":"2025-10-27T07:11:02","guid":{"rendered":"https:\/\/receitascomamor.p2ms.tn\/?p=117"},"modified":"2025-10-27T07:11:02","modified_gmt":"2025-10-27T07:11:02","slug":"encontrei-o-meu-neto-a-tremer-la-fora-no-dia-de-acao-de-gracas-com-uma-temperatura-de-10c-a-mae-e-o-padrasto-estavam-la-dentro-a-comer-expulsaram-no-por-queimar-o-peru-dei-um-pontape-na-port","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/receitascomamor.servi.tn\/?p=117","title":{"rendered":"Encontrei o meu neto a tremer l\u00e1 fora no Dia de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as, com uma temperatura de 10\u00b0C. A m\u00e3e e o padrasto estavam l\u00e1 dentro a comer. Expulsaram-no por queimar o peru. Dei um pontap\u00e9 na porta. O padrasto ironizou: &#8220;Ele n\u00e3o tem o meu sangue.&#8221; Olhei-o diretamente nos olhos e disse seis palavras&#8230; Os seus rostos empalideceram."},"content":{"rendered":"<p>O meu telefone vibrou no painel e uma mensagem de texto de um vizinho apareceu no ecr\u00e3. As viaturas estavam de volta \u00e0 casa dos Henderson. Uma emerg\u00eancia familiar. Lembrei-me de mim e das preocupa\u00e7\u00f5es da minha fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Fiquei a olhar para estas palavras enquanto o meu velho Chevrolet parava na garagem, com a chuva forte a come\u00e7ar a colar-se \u00e0 janela. Os Henderson. A minha falecida esposa, Martha, preocupava-se com o neto tanto quanto eu com o nosso. Agora era s\u00f3 eu e aquela sensa\u00e7\u00e3o de aperto no est\u00f4mago de cada vez que ouvia falar da minha filha, Leona, e do marido, Wilbur.<\/p>\n<p>O rel\u00f3gio marcava 14h30. Hora de ir.<\/p>\n<p>A viagem pela I-75 em dire\u00e7\u00e3o a Cincinnati foi trai\u00e7oeira. Os Led Zeppelin tocavam alto na r\u00e1dio, os seus acordes pesados \u200b\u200bcombinavam perfeitamente com o meu estado de esp\u00edrito. Dois sacos de presente para o meu neto, Amos, foram colocados no banco do passageiro. Numa, foi inspecionada uma luva de beisebol de couro nova; na outra, uma pilha de revistas de banda desenhada. Tinha agora dezoito anos, e era seguro dizer que era demasiado velho para super-her\u00f3is, mas eu lembrava-me dos dezoito. Nunca se \u00e9 demasiado velho para os her\u00f3is.<\/p>\n<p>&#8220;A fam\u00edlia \u00e9 tudo o que temos&#8221;, a voz de Martha ecoava na minha mente. Depois de a perder h\u00e1 seis meses, cada reencontro parecia fr\u00e1gil, precioso. A solu\u00e7\u00e3o foi ir a casa da Leona dizer que estava l\u00e1, mas o telefone tocou seis vezes antes de cair na caixa de correio. Estranho para uma tarde de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as.<\/p>\n<p>Quando tomei a sa\u00edda para o bairro de Leona, as ruas dos sub\u00farbios estavam repletas de casas, bem iluminadas, com a luz dourada a derramar-se das janelas sobre os relvados cobertos de neve. Virei-me no pr\u00e9dio dela e apareceu a casa ao fundo \u2014 azul, de dois andares, com fumo a sair da chamin\u00e9. A pick-up de Wilbur estava estacionada na entrada da garagem, ao lado do seu sedan. Tudo estava normal. Uma imagem perfeita para as festas de fim de ano.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu vi-o.<\/p>\n<p>Amos. O meu neto est\u00e1 encolhido nos degraus, abra\u00e7ando o abrigo. Vestia apenas uma camisa de mangas compridas e a neve j\u00e1 ca\u00eda. O resultado foi um arrepio, um arrepio profundo e tr\u00e9mulo que transcendia o frio cortante.<\/p>\n<p>&#8220;Jesus Cristo&#8221;, murmurei, abrindo a porta de seguran\u00e7a. O vento atingiu-me como um golpe f\u00edsico, cristais de gelo a arderem no meu rosto.<\/p>\n<p>&#8220;Amos!&#8221;, disse o principal, correndo pela entrada escorregadia. &#8220;O que est\u00e1 a alimentar aqui?&#8221;<\/p>\n<p>Levantei-me, e o al\u00edvio nos seus olhos quebrou-me imediatamente. O seu rosto estava p\u00e1lido, os seus l\u00e1bios azuis e as suas bochechas estavam manchadas de vermelho. &#8220;Av\u00f4&#8221;, sussurrou, batendo os dentes com tanta for\u00e7a que mal conseguia pronunciar as palavras. &#8220;Eu&#8230; eu n\u00e3o consigo&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 estava a tirar o meu casaco leve de inverno, envolvendo-o no seu corpo tr\u00e9mulo. Estava gelado ao toque. &#8220;Como assim, n\u00e3o consegue? O que \u00e9 que n\u00e3o consegue?&#8221; Ajudei-o a levantar-se, firmando-o enquanto as suas pernas quase cederam. &#8220;H\u00e1 quanto tempo est\u00e1 aqui?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o posso entrar&#8221;, sussurrou, apertando o casaco \u00e0 minha volta. &#8220;N\u00e3o posso entrar em casa.&#8221;<\/p>\n<p>As palavras atingiram-me com um baque. Gargalhadas ecoaram pelas janelas iluminadas atr\u00e1s dele. Estavam l\u00e1 dentro, quentes e a celebrar, enquanto o meu neto foi deixado para congelar. A minha voz saiu mais \u00e1spera do que tinha dito. &#8220;Como assim, n\u00e3o posso? Esta \u00e9 a sua casa!&#8221;<\/p>\n<p>Ele encolheu-se. &#8220;Por favor, av\u00f4, n\u00e3o me deixe fazer isto&#8221;, sussurrou, olhando nervosamente para a porta da frente. &#8220;Se o Wilbur o ouvir&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Eu era uma fraude em casa, estava mesmo a ficar cansada. As luzes de Natal, os sons de alegria \u2014 tudo era fachada. &#8220;H\u00e1 quanto tempo, Amos?&#8221; \u2013 perguntei, a minha voz agora suave, mas firme.<\/p>\n<p>N\u00e3o me olhe nos olhos. &#8220;Desde&#8230; esta manh\u00e3.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Esta manh\u00e3?&#8221; Olhei para o meu rel\u00f3gio. Eram quase 15h15. &#8220;Filho, est\u00e1 aqui abaixo de zero. Podes congelar. Podes&#8230;&#8221; Contive-me, n\u00e3o querendo assust\u00e1-lo ainda mais. A porta da frente estava trancada. Claro que estava trancada.<\/p>\n<p>Levei-o at\u00e9 \u00e0 minha carrinha, liguei o aquecedor no m\u00e1ximo e enrolei-lhe um cobertor de emerg\u00eancia nos ombros. Segurei as suas m\u00e3os dormentes entre as minhas, esfregando-as, tentando trazer os seus dedos de volta \u00e0 vida. &#8220;Fala comigo, filho&#8221;, disse eu, com a voz perigosamente calma. &#8220;O que aconteceu?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Peru&#8221;, disse, com a voz baixa e envergonhada. &#8220;Estava a ajudar a mam\u00e3. Eu&#8230; esqueci-me de desligar o temporizador do forno quando o tirei para regar. Queimou um pouco por fora.&#8221; Olhou finalmente nos meus olhos, com o medo a brilhar nos seus. &#8220;O Wilbur entrou e viu aquilo, e simplesmente&#8230; ficou louco. Disse que eu estraguei o Natal. Que eu era uma vergonha.&#8221; Apertou-se mais com o cobertor. &#8220;Depois disse que eu tinha de pensar nos meus atos e n\u00e3o podia voltar para dentro at\u00e9 aprender a ter responsabilidade.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;E a sua m\u00e3e?&#8221; A pergunta foi dura e fria.<\/p>\n<p>Amos desviou o olhar. &#8220;Ela tentou dizer alguma coisa, mas o Wilbur disse-lhe para n\u00e3o interferir. Ela n\u00e3o disse mais nada depois disso.&#8221;<\/p>\n<p>Quatro horas e meia. Estava ali h\u00e1 quatro horas e meia, a comer um peru levemente queimado. Uma raiva lenta e fria come\u00e7ou a crescer no meu peito. &#8220;Isto&#8230; j\u00e1 aconteceu antes?&#8221;<\/p>\n<p>Ele hesitou, e ent\u00e3o a verdade veio ao de cima. &#8220;\u00c0s vezes. Quando alguma coisa&#8230;<!--nextpage--><\/p>\n<p>Vou estragar tudo. No m\u00eas passado, fez-me ficar na garagem a noite toda porque me esqueci de levar o lixo para a rua. Uma vez, fechou-me na cave durante dois dias porque parti uma das suas garrafas de cerveja.<\/p>\n<p>Cada palavra era um golpe a mais. Lembrei-me dos hematomas que vi no seu bra\u00e7o durante a nossa pescaria de ver\u00e3o e de como ficou quieto quando lhe perguntei sobre eles. &#8220;A tua m\u00e3e sabe disso?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ele diz que o Wilbur est\u00e1 apenas a tentar ensinar-me disciplina. Que preciso de ser mais respons\u00e1vel.&#8221; A sua voz falhou. &#8220;Talvez ele tenha raz\u00e3o. Talvez eu s\u00f3&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o fa\u00e7a isso.&#8221; Virei-me para encar\u00e1-lo. &#8220;N\u00e3o se atreva a culpar-me. O que aquele homem est\u00e1 a fazer n\u00e3o \u00e9 disciplina. \u00c9 abuso. E acaba hoje.&#8221;<\/p>\n<p>O p\u00e2nico brilhou-lhe nos olhos. &#8220;N\u00e3o, av\u00f4, por favor! Se fizeres uma cena, ele vai descarregar em mim depois. Ele faz sempre.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Deixa-me preocupar-me com o Wilbur&#8221;, disse eu, com a voz endurecida como a\u00e7o. Sa\u00ed da pick-up, o ranger das minhas botas na neve soando como uma declara\u00e7\u00e3o de guerra. A porta da frente parecia s\u00f3lida e cara \u2014 a fortaleza suburbana do Wilbur. N\u00e3o me dei ao trabalho de bater.<\/p>\n<p>A minha bota bateu na madeira junto \u00e0 fechadura com toda a for\u00e7a que consegui reunir. O batente da porta estilha\u00e7ou-se com um estrondo ensurdecedor, e a porta abriu-se, batendo contra a parede interior.<\/p>\n<p>O ar quente entrou, trazendo consigo o cheiro a peru assado e o som de um sil\u00eancio chocado. Sa\u00ed para o corredor, com Amos logo atr\u00e1s de mim, e apreciei a vista. A mesa da sala de jantar estava posta como a capa de uma revista. Wilbur estava sentado \u00e0 cabeceira da cama, com uma faca de trinchar na m\u00e3o. Leona estava sentada ao seu lado, com o cabelo perfeitamente penteado. Em frente deles, estava sentada uma menina, filha do Wilbur, com um garfo cheio de pur\u00e9 de batata a meio caminho da boca. Todos estavam congelados, o seu momento perfeito de f\u00e9rias arruinado.<\/p>\n<p>O peru no prato estava dourado \u2014 um substituto para o que Amos tinha alegadamente destru\u00eddo.<\/p>\n<p>A minha voz ecoou pela sala. &#8220;Voc\u00eas enlouqueceram todos completamente?&#8221;<\/p>\n<p>Leona empalideceu. &#8220;Pai? O que est\u00e1s aqui a fazer?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto estavas aqui sentado a festejar, aquele mi\u00fado estava a congelar l\u00e1 fora!&#8221; Apontei um dedo tr\u00e9mulo a Amos. &#8220;Quatro horas, Leona! Com um tempo que o poderia ter matado!&#8221;<\/p>\n<p>Wilbur largou a faca lentamente e levantou-se, estufando o peito. Era um homem grande, mas eu j\u00e1 tinha visto tanta traquinice antes. &#8220;Quem lhe deu permiss\u00e3o para entrar em minha casa?&#8221;, a sua voz era baixa, amea\u00e7adora. &#8220;Est\u00e1 a invadir.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Tremendo?&#8221; Dei um passo em frente. &#8220;Trancaste o meu neto l\u00e1 fora para congelar enquanto jantava e est\u00e1s preocupado com intrus\u00e3o?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Este \u00e9 um assunto particular de fam\u00edlia&#8221;, atirou Wilbur.<\/p>\n<p>&#8220;Foi o meu neto que quase mataste com o teu &#8216;assunto particular de fam\u00edlia&#8217;!&#8221; Gritei de volta.<\/p>\n<p>Olhei para o meu neto, para os ligeiros hematomas ao longo do seu maxilar que n\u00e3o tinha reparado antes, para a forma como se portava, pequeno e invis\u00edvel. &#8220;Olha para ele, Wilbur&#8221;, disse eu, a minha voz caindo num sil\u00eancio mortal. &#8220;Olha o que fizeste.&#8221;<\/p>\n<p>Wilbur cruzou os bra\u00e7os. &#8220;Aquele mi\u00fado arruinou as nossas f\u00e9rias. Precisava de aprender as consequ\u00eancias.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Uma li\u00e7\u00e3o?&#8221; Eu mal conseguia acreditar no que estava a ouvir. &#8220;Tem dezoito anos, n\u00e3o \u00e9 uma crian\u00e7a. E esta \u00e9 a minha casa, com as minhas regras&#8221;, disse Wilbur em tom condescendente. &#8220;Estou a tentar ensinar-lhe disciplina.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Pai, por favor&#8221;, disse Leona finalmente, com a voz tr\u00e9mula. &#8220;N\u00e3o estrague as nossas f\u00e9rias.&#8221;<\/p>\n<p>Virei-me para a minha filha, a trai\u00e7\u00e3o a arder mais do que o frio. &#8220;Estragar as suas f\u00e9rias? O seu filho est\u00e1 a congelar l\u00e1 fora, e voc\u00ea est\u00e1 preocupada que eu estrague as suas?&#8221;<\/p>\n<p>Ela olhou para baixo, incapaz de me olhar nos olhos.<\/p>\n<p>&#8220;Esta \u00e9 a minha casa&#8221;, repetiu Wilbur, colocando-se entre n\u00f3s, com o rosto vermelho de raiva. &#8220;E o Amos n\u00e3o \u00e9 meu filho biol\u00f3gico. Tenho todo o direito de o castigar como bem entender.&#8221;<\/p>\n<p>E assim aconteceu. A verdade brutal. Amos n\u00e3o era do seu sangue, por isso n\u00e3o importava.<\/p>\n<p>&#8220;Tens trinta segundos para pedir desculpa ao meu neto&#8221;, disse eu fria e precisamente.<\/p>\n<p>Wilbur riu-se. Um som agudo e desagrad\u00e1vel. &#8220;N\u00e3o devo nada \u00e0quele mi\u00fado. Se ele n\u00e3o gostar das minhas regras, pode arranjar outro s\u00edtio para viver.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Tens raz\u00e3o&#8221;, disse eu, a minha decis\u00e3o tomando forma. &#8220;Amos, vai buscar as tuas coisas. Vais para casa comigo.&#8221;<\/p>\n<p>O sil\u00eancio era absoluto.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o pode simplesmente lev\u00e1-lo&#8221;, sussurrou Leona.<\/p>\n<p>&#8220;Observa-me&#8221;, respondi, colocando a m\u00e3o no ombro de Amos e conduzindo-o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s escadas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 rapto!&#8221;, gritou Wilbur atr\u00e1s de n\u00f3s. &#8220;Eu mandava prend\u00ea-lo!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Boa sorte a explicar \u00e0 pol\u00edcia porque \u00e9 que o meu neto ficou l\u00e1 fora com temperaturas quase congelantes durante quatro horas!&#8221;, gritei.<\/p>\n<p>Cheg\u00e1mos ao quarto de Amos, nas traseiras da casa. Era pequeno, frio, mais parecido com um arm\u00e1rio de arruma\u00e7\u00e3o do que com um quarto. Rapidamente guardou os seus pertences numa mochila.<\/p>\n<p>&#8220;Amos, pense no que est\u00e1 a fazer&#8221;, implorou Leona da porta. &#8220;Esta \u00e9 a sua fam\u00edlia&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Que fam\u00edlia&#8221;, murmurou Amos, com a voz a ganhar for\u00e7a. Olhou para a m\u00e3e, a dor de tr\u00eas anos a crescer-lhe nos olhos. &#8220;M\u00e3e, ele fez-me dormir na garagem a semana passada porque deixei um copo no lava-loi\u00e7a.<!--nextpage--><\/p>\n<p>&#8221;<\/p>\n<p>O rosto de Leona contorceu-se. &#8220;Ele&#8230; ele tem padr\u00f5es elevados&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ele quer que eu me v\u00e1 embora&#8221;, disse Amos baixinho, fechando o fecho da mochila. &#8220;E voc\u00ea sabe disso.&#8221;<\/p>\n<p>Descemos. Wilbur esperava l\u00e1 em baixo, com o rosto cheio de f\u00faria. &#8220;Se sa\u00edres da minha casa, rapaz, nunca mais voltas. Nunca.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Por mim, est\u00e1 bem&#8221;, disse Amos.<\/p>\n<p>Quando cheg\u00e1mos \u00e0 porta da frente partida, a Leona gritou uma \u00faltima vez: &#8220;Amos, por favor. Amo-te.&#8221;<\/p>\n<p>Parou e olhou para a m\u00e3e. &#8220;Se me amasse, m\u00e3e&#8221;, disse ele, com a voz clara e firme, &#8220;n\u00e3o deixaria que isso acontecesse.&#8221;<\/p>\n<p>Partimos em sil\u00eancio, deixando para tr\u00e1s a casa perfeitamente decorada e os seus horr\u00edveis segredos. Pela primeira vez desde que tinha chegado, o Amos pareceu que finalmente conseguia respirar.<\/p>\n<p>&#8220;Obrigado, av\u00f4&#8221;, disse baixinho. &#8220;Devia ter vindo mais cedo&#8221;, respondi, e fui sincero.<\/p>\n<p>De regresso \u00e0 minha casa \u2014 agora a nossa casa \u2014 o calor era uma b\u00ean\u00e7\u00e3o. Comemos um jantar simples de frango com legumes e, pela primeira vez em muito tempo, a casa voltou a ganhar vida. Enquanto est\u00e1vamos sentados junto \u00e0 lareira, a verdade dos \u00faltimos tr\u00eas anos jorrou de Amos \u2014 o escrut\u00ednio constante, os castigos, o medo.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos a terminar a sobremesa quando algu\u00e9m bateu autoritariamente \u00e0 porta. Abri e vi dois pol\u00edcias na varanda, seguidos por Wilbur e Leona como abutres.<\/p>\n<p>&#8220;Pol\u00edcia, este homem raptou a minha &#8220;enteado&#8221;, anunciou Wilbur de imediato.<\/p>\n<p>Os pol\u00edcias entraram para investigar. Wilbur contou uma hist\u00f3ria sobre um av\u00f4 intrometido e uma adolescente rebelde. Mas quando o pol\u00edcia se virou para Amos, o meu neto levantou-se.<\/p>\n<p>&#8220;Eu queria ficar com o meu av\u00f4&#8221;, disse, com voz firme. Contou-lhes tudo \u2014 sobre o peru, sobre ter ficado trancado do lado de fora durante mais de quatro horas, sobre os anos de abuso.<\/p>\n<p>O pol\u00edcia virou-se para a minha filha: &#8220;Sra. Green, precisamos de saber o que realmente aconteceu hoje.&#8221;<\/p>\n<p>Wilbur lan\u00e7ou-lhe um olhar de advert\u00eancia, mas Leona acabou por desabar. As l\u00e1grimas escorriam-lhe pelo rosto enquanto confirmava tudo o que Amos tinha dito. &#8220;Trancaste a porta&#8221;, disse ela a Wilbur, com a voz tr\u00e9mula de coragem rec\u00e9m-descoberta. &#8220;Disse-me para n\u00e3o o deixar entrar, n\u00e3o importa o que acontecesse.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Leona, cala a boca!&#8221; A m\u00e1scara de polidez de Wilbur rompeu-se finalmente.<\/p>\n<p>&#8220;Estou a dizer a verdade&#8221;, solu\u00e7ou ela. &#8220;Pela primeira vez em tr\u00eas anos, estou a dizer a verdade&#8221;.<\/p>\n<p>Era tudo o que tinha sido estipulado. Quando algemaram Wilbur, este olhou furioso para Leona. &#8220;Vai se arrepender disso.&#8221; Sem mim, n\u00e3o \u00e9s nada.&#8221;<\/p>\n<p>\u00abPrefiro n\u00e3o ser nada a ver-te magoar o meu filho\u00bb \u2014 e ent\u00e3o, imediatamente, apareceu a mulher de quem me lembrava.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o encontro, sent\u00e1mo-nos os tr\u00eas na loja silenciosa. Leona chorou, e Amos ajoelhou-se ao seu lado, confortando-a. &#8220;E agora, av\u00f4?&#8221;, perguntou-me.<\/p>\n<p>&#8220;Agora&#8221;, disse eu, olhando para a minha fam\u00edlia, destru\u00edda, mas finalmente a recuperar, &#8220;agora j\u00e1 nos curamos.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O meu telefone vibrou no painel e uma mensagem de texto de um vizinho apareceu no ecr\u00e3. As viaturas estavam&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":118,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-117","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-recipes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/receitascomamor.servi.tn\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/receitascomamor.servi.tn\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/receitascomamor.servi.tn\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/receitascomamor.servi.tn\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/receitascomamor.servi.tn\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/receitascomamor.servi.tn\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/117\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/receitascomamor.servi.tn\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/receitascomamor.servi.tn\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/receitascomamor.servi.tn\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/receitascomamor.servi.tn\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}