Eu tentei — juro que tentei. Entrei para um clube de jardinagem. Comecei a fazer voluntariado na biblioteca. Cheguei a cozer bolo de banana para o corpo de bombeiros local. Mas nada preencheu o vazio que Joseph deixou. A dor, aprendi, não sai de casa. Ela paira no corredor, à espreita em cada momento de silêncio.
Mesmo numa sala cheia de gente, sentia-me como um fantasma a passar despercebido.
Então, numa manhã de domingo na igreja, aconteceu algo que mudou tudo.
Estava a organizar hinários na sala dos fundos quando ouvi duas voluntárias a cochichar perto do cabide.
“Há um recém-nascido no abrigo”, murmurou uma delas. “Uma menina. Tem síndrome de Down. Ninguém a quer levar.”
“Ninguém quer um bebé assim”, respondeu a outra. “Dá muito trabalho. Ela nunca terá uma vida normal”.
As palavras delas atingiram-me em cheio. Sem pensar, virei-me. “Onde está ela?”
A voluntária mais nova piscou os olhos. “Com licença?”
“Quero vê-la”, disse eu.